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4 de junho de 2016

SOPRO DE TI *****



SOPRO DE TI

Ainda resta verão em ti.
Resta um dia sem fim,
Resta a sombra de um crepúsculo lento,
E dos galhos vergados
Que nos ouviram em comunhão.
Falei de ti ao silêncio,
Que ouviu-me solícito,
Incansável,
Sensato,
Sublime.
Não quero ser apenas um sonho,
Porque resta-te em cada sopro
Nas mil perguntas,
Na tua ausência,
E nas respostas inventadas.
Resta verão em teus olhos calmos
- Olhos que eu fito, distantes _
Onde descansam represas de ternura
E o denso
E louco desejo de transbordar, 
Tocar,
Amar,
E fazer-te outra vez presença
Mais uma vez, absoluto,
Dono de uma estação.
Falei de ti
Todos esses anos,
Sem proferir palavras inúteis
Aos pensamentos protegidos
Pela insônia,
Pelas noites serenas...
Mas tive o amparo
Do sorriso que moldei :
Teu sorriso ainda inocente,
Puro e verdadeiro
Quando, uma vez.
Fui teu verão.
ML

Maria Luíza Faria