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22 de fevereiro de 2015

AMOR FANTASMA




AMOR FANTASMA

Eu não sei quem és.
Mas gosto muito de ti.

Gosto de te sentir quando me afagas os cabelos.
Gosto do teu leve toque, tão sublime, no meu rosto.
Gosto dos segredos que me contas aos ouvidos.
De todo o esplendor que geras,
quando os teus braços se erguem no horizonte.

Eu gosto muito de ti, meu amor fantasma.
Porque sabes voar no meu infinito azul.

Eu não sei quem és, nem de onde vens.
Mas gosto de fechar os olhos e sentir-te
quando te enleias no meu corpo e rodopias.

Oh que abraço tão completo o teu.
Dás-me beijos tão carinhosos, tão perfeitos.

E eu não sei quem és
que te não vejo.

És um mistério, uma força, uma tormenta.
Desejo-te tantas vezes no meu corpo.
E eu tão firme, vacilo se te apresentas.

Só tu consegues revoltar o meu mar sereno e lindo.
Fazê-lo rugir de feroz ciúme.
Mas eu não te levo a mal
de provocares uma tal zanga,
porque gosto mesmo muito de ti.
E quando o mar veste as roupas de zangado,
nova beleza lhe surge na postura.
A sua ira é o seu ciúme,
porque me visitas e afagas o meu rosto.

Eu não sei quem és 
e gosto tanto de ti.

Sei que moras longe e voas alto
e os meus olhos sorriem quando chegas
dos infinitos céus e de além-mar.
Se viajas, fico triste e não te sinto.

Um dia quando voltares dessas viagens,
vais dizer-me porque te chamam vento.

Raúl Ferrão