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3 de fevereiro de 2014

Divagações




Divagações 

Fiquei perdida
E rasgada, no âmago
Quando escolheste ser saudade.

Nesse dia a solidão
Ficou desenhada dentro de mim
Virou-me do avesso
E desaguou pelos meus olhos, vagos. 
Desde então
Que me invento
Que me desbravo em terreno estranho
Que me aconchego no meu leito, pardo.

Com a saudade esculpida
E estacionada no meu corpo
A minha alma goteja e divaga
Sílabas que queimam...
Que entram em convulsões poéticas. 
Tento enxugar o pranto
Que me cedeste
Mas o tempo fecha-me
Dentro de líricas amargas.

Morro em cada entardecer
Quando a dormência dos dedos
Me soletra… e cala todas as letras.

Sem ti, as palavras ferem-me
E deixam de fazer sentido… 
São ardósias frias
E ausentes!
Ofereço-me frágil, aos toques do silêncio
Sorvo toda a saudade, bordada no coração
E na ponta dos meus dedos.

Telma Estêvão