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2 de janeiro de 2014

Eu Quero




Eu Quero

Fugir da falsa segurança do céu nublado
Ter alguém de verdade do meu lado
Livrar-me do arquétipo do príncipe encantado
Do mito do amor-perfeito e idealizado.

Aceitar que tu foste só fruto da minha imaginação
Nunca exististe-te como eu via, mero espelho da ilusão
Uma forma de nuvem montada ao meu bel-prazer
Sempre apenas a um átomo de se desfazer.

Quero-me livrar da pesada maquiagem e da fantasia
Não temer enfrentar a enganosa pseudo-harmonia
Quebrar paradigmas, cercas, muros e barreiras.
Exercer o meu direito de ousar e fazer besteiras.

Não quero levantar bandeiras nem ter seguidores
Quero vivenciar a alegria e a dor de todos os amores
Abrir mão da ilusória protecção da ficção
Desafiar a divina loucura dos prazeres da paixão.

Que o sol vença as barreiras e se mostre pleno
Que a lua inspire e contagie os amantes no sereno
Que o sangue pulse e aqueça os meus passos
Que eu aprenda a diferenciar os nós dos laços.

Ganso Selvagem (Rui Moreira)