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24 de setembro de 2013



Que se percam de nós todos os sons, mas que sobrem as partituras como bom exemplo. Que façamos do grito o silêncio... igual aquele que habita os campos de batalha (em momentos antes das metralhadores cuspirem suas balas). Que percamos a nossa necessidade de manter a presença... e contemplemo-nos com bons momentos que não se repetiram, sem pensar (contudo) em trazê-los de volta. Porque a vida é um vento que sopra em mão única, que passa ligeira e quase invisível. E nós mesmos nos tornaremos, daqui a pouco tempo... invisíveis, ligeiros e silenciosos; buscando um ponto de chegada ou um outro ponto de partida para além da vida. Então... sem apego... que se percam de nós todos os medos, que se percam todos os tons... mas que sobrem as cicatrizes e os entre tons; que fiquem algumas telas de vida... rabiscadas e tingidas. Que se percam as palavras... mas que sobrem os fragmentos, relidos em doses homeopáticas pelo pensamento. Que sejamos passado e presente - a todo tempo; mas que não esqueçamos do futuro em certos momentos... futuro sempre imprevisível e indeterminado; de nós totalmente desapegado. Que tudo se resuma a poucas linhas... as nossas mais sinceras e sutis entrelinhas; que tudo se recicle hoje e pela nossa eternidade. Porque enquanto para muitos seremos um delicioso adeus... para outros seremos uma triste saudade.

(Adriano Hungaro)