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4 de junho de 2013

MONÓLOGO



MONÓLOGO

Nenhuma ausência dói mais que a tua!
E nada preenche o espaço onde eras suposto estares tu
os lençóis estão vazios do teu corpo
e eu deambulo por aqui
mãos nos bolsos
subindo e descendo a rua
aspirando o frio e o nevoeiro
que abraçam a cidade
esperando que saltes à minha frente
vindo de uma qualquer esquina

Mas procuro-te em vão!
A esta hora alguém te abraça e beija
que não eu
alguém passa a mão pelo teu ombro
e se abraça ao teu pescoço

Alguém que não eu dormirá a teu lado
e alguém que não eu dir-te-á bom dia
com um sorriso que eu queria fosse meu

Gostar de ti passou a ser uma ferida!
Uma ferida que não passa
faça eu os curativos que fizer
que dói profundamente
que virou uma chaga

Sou alguém solitário
que se passeia nas esquinas da saudade
e se imagina em Paris ao teu lado
ouvindo "la vie en rose"

Mas a verdade é que a vida não é rosa
nem sequer azul ou branca
A vida é apenas cinzenta!
um cinzento baço e escuro
que eu vou torneando como posso
com as coisas que me sobram
o teu sorriso
as tuas piadas...
Mas nada te substitui
e nenhuma distância nos separa
e no entanto nunca me pareceste tão longe

Aos poucos derrubo esse muro
que ergueste em teu redor
pedra por pedra
e substituo cada pedra com um beijo

Um dia chego ao topo
e nesse dia eu sei que não mais fugirás!
Um dia todos os espaços serão teus!

- são reis -

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