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11 de novembro de 2012

Movida a borboletas

 
Movida a borboletas

Sou movida a borboletas
Liberta, esvoaçante, fora do casulo
Vivo intensamente o presente
Sem apegos, liberdade passageira
 
 Nas alturas dou tom ao sol da mente
Num balé cósmico de raios e tempestades
Fui gerada no ventre do desejo ardente
Onde passo semeio estrelas e deixo saudades

No entardecer da vida construo a morada fugaz
Sou cigana da sorte em qualquer lugar
Com ou sem melodia meu destino é dançar
Na vida tudo é passageiro, sou prometida do guerreiro
 
 Celebro o sonho das árvores de todas as estações
Danço a suavidade em noites de verão
Na primavera aprendi a arte da sedução
No outono me recolho com afeto no coração

Vejo a chuva cair, e sonho em ter asas de paz
A terra engravida e emociona-me com seu grito de vida
O broto festivo floresce e o sereno sensível adormece
Um novo dia renasce sorridente e agradece

Viver como os passarinhos tem sabor de encantação
Nos ares não há limites é presença sem direção
Tudo em asa é canto de libertação
A completude da vida é a incompletude em ação

Janete Manacá