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3 de maio de 2012

Travessias

Travessias
Da janela do carro, voltando para casa, distanciando-me de origens e raízes que se fortalecem no reencontro, lembranças alimentam saudades. Do muito que se construiu, das experiências vividas, das lágrimas vertidas em momentos de dor e alegria, das ilusões destituídas por realidades escancaradas, imagens desfeitas, sentimentos demudados pelas circunstâncias, prevalece à sensação de continuidade, evolução e vida. Não sou a mesma, demarco sonhos legítimos, esquadrinhando uma felicidade sem maiores pretensões. Sem esperar muito de quem quer que seja... Almejando o possível em contextos ainda desconhecidos. Assim sendo, defendo-me de decepções desnecessárias, não mais espero que façam, digam ou sintam. Apreendi que sou o resultado do que desejo e vivo. Não cabe ao outro sentir, dizer e fazer por mim. Compreendo que cada um de nós tem limitações e entraves a serem vencidos e, que o máximo que posso fazer é lapidar o meu próprio espírito. Lentamente, percebendo-me em desenvolvimento, aparando as arestas e lapidando com gentileza o que ainda me prende ao “homem velho”. Distante de julgamentos que pouco contribuem, caminho entre pensamentos e emoções de amor. Amor de partilha, troca, edificação. Menos egoísta e frágil... Amplo e verdadeiro. Amar de amor, simplesmente... Abrindo espaços para afetos que realmente serão eternos, porque ternos deixarão saudades afáveis e lembranças inesquecíveis.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer