.

7 de maio de 2012

ENQUANTO AINDA HÁ TEMPO


ENQUANTO AINDA HÁ TEMPO
 
Um dia, sei que a morte me calará. Não haverá mais tempo para dizer o que sinto.
Não haverá um momento exato ou inexato... Apenas não haverá momento.
Não quero partir com a sensação de que disse tanto... Menos o que queria.
Que fiz tanto... Menos o que realmente desejava.
Sou uma alma intensamente alegre, e intensamente triste...
Sou apenas uma alma de poeta.
Tenho todas as emoções aos gritos, nas pontas dos dedos.
Tenho todas as razões que preciso para escrever.
Então, permita-me gritar meus sentidos, explicar todas as minhas intenções.
Não quero vê-lo questionando-se o que eu senti, quando eu não puder mais te assegurar.
A vida é curta e, mesmo com o passar de muitos anos, o tempo nos rouba certas consciências. 
Não quero perder tempo com receios que me travam a língua e acorrentam-me os pés.
Deixe-me falar do quanto fui feliz quando fomos nós.
Deixe-me confessar toda a beleza que vi dentro de você.
Deixe-me repetir incansavelmente, o que penso de ti, e o quanto fostes importante para mim.
Ouça-me enquanto há tempo... Diga-me tudo o que precisa.
Antes que o tempo seja apenas passado, e tudo o que calamos,
Não possa mais ser falado.

Gil Façanha