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15 de setembro de 2010

FLOR ACESA


FLOR ACESA

Estou nua,
mas quero me despir ainda mais.
Corro atrás dos becos
onde milagres e blasfêmias acontecem
e a noite me espreita.
Não sei qual é o meu lugar e a minha hora...
Acho que nem o próprio instante é absoluto.
O mundo que percorro segue torto:
ouço címbalos entre as estrelas
e vejo luas retas em plena tarde;
sempre tive que esconder meus sentimentos:
protegê-los de piratas de outros mares
e das coisas que passam,
sem deixar o olor de sua essência.
Camuflo em mim a flor que segue acesa
- esse é o fato –
que se esgueira entre nuvens e trovões
à espera da cor de um novo dia.

Basilina Pereira