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10 de junho de 2010

JUSCELINO VIEIRA MENDES

Bio-Bibliografia

Advogado empresarial, pós-graduado em Direito Tributário e Financeiro, e especialização latu sensu na Universidade de São Paulo e na Universidade de Paris, Sorbonne; formado em Liderança Avançada pelo Haggai Institute - Maui - Havaí - EUA. Mestre em Filosofia Ética pela PUC-Campinas, com o tema da dissertação de mestrado: "Fundamentos Éticos da Obediência Civil e da Crítica Racional: revisitando K. Popper e J. Bentham." Doutorando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas - IFCH/UNICAMP. Vide: CV CNPQ.

Sócio do escritório Mendes & Mendes - Advogados Associados - Campinas, São Paulo (juscelino@aasp.org.br). Atua nas esferas: preventiva, consultiva, administrativa (pareceres) e no contencioso judicial, frente aos diversos assuntos, relacionados às operações de empresas transnacionais, dando suporte às suas unidades em diferentes regiões do Brasil e no Exterior (Países do Mercosul). Aspectos societários, negociações governamentais, tributação, contratos em geral, comercial, cível, trabalhista e desportivo. 35 anos de serviço em empresas de diversos ramos, 20 dos quais como advogado empresarial.

Professor universitário nas disciplinas: Filosofia do Direito, Direito Constitucional, Metodologia Científica, Linguagem Jurídica, Direitos Humanos e Direito Tributário.

Professor do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal - CREUPI e de Liderança Eficaz do Instituto Haggai do Brasil. Associado do IBDT/USP. Escritor e poeta.

Participou na II Coletânea Komedi 1998; do Centro de Poesia e Arte de Campinas, 1998 - Editora Komedi; Saciedade dos Poetas Vivos - Vol. XIII - Editora Blocos - 1999; lançamento do livro Balé do Espírito - poemas reunidos - Editora Komedi, 1999; IV Coletânea Komedi 2000;Coletânea de Textos - CBC, 2001 - Editora Komedi e V Coletânea Komedi 2001.

O poema "Nu como um Yanomami" foi selecionado para publicação na Vila do Conde, Portugal, pelo EISPOESIA, em abril de 1999, na Coletânea Exposição do Movimento, em homenagem ao poeta José Régio pelo trigésimo aniversário de sua morte.

Membro e um dos fundadores do Café Filosófico Jardins de Epicuro em Campinas, SP.


SITES:

JusFiloPoiesis
http://juscelinomendes.blogspot.com/

JusHaicaiPoiesis
http://jushaicaipoiesis.blogspot.com/

Twitter :
http://twitter.com/jusmende


EU ERA MEU BRINQUEDO

Meu brinquedo
Eu
Era meu brinquedo:
Nas enxurradas
Nas tanajuras
Nas barrocas
Nas areias -
Que desciam da serra e ficavam -
Nos arcos-íris
Nos pirilampos
Nas bolas de meia
Nos babas
Nas bolas de gude
Nos piões
Nas borboletas amarelas:
Matérias-primas de meus castelos
Que desvaneciam tão rápido quanto meus sonhos
Em Conquista.
Eu era o que restava de alegria,
Imitando os pássaros,
Curumim de mim mesmo e
De minhas circunstâncias.
Eu,
Meu brinquedo.

Juscelino Mendes


Nu Como Um Yanomami

Percorro o meu interior
E me vejo nu como um yanomami.
Ando pelas encostas do meu ser
e vejo claramente as florestas
largas e repletas de árvores fortes e floridas;
largas e repletas de frutos maduros;
largas e repletas de plantas verdes.
Ando em meio as árvores e não percebo o bosque.
em meio aos frutos e não posso comer;
em meio as plantas e não sinto o seu aroma.
Caminho em direção ao rio que vejo ao longe;
rio que tem curso calmo.
Às vezes suas águas, que nunca são as mesmas,
descem velozmente ao encontro de um mar
que é só meu, único e indescritível...impenetrável.
Ando ao encontro desse rio, cujas águas são azuis,
e chego exausto e trêmulo.
Nele, molho a minh’alma que se encanta e se enleva,
e chego a perceber o bosque: imenso e úmido.
Ouço o cantar dos pássaros!
E como dos frutos das árvores próximas: maduros e doces, que me são permitidos comer!
E sinto o aroma das plantas adjacentes: perfume silvestre.
Cheiro suave!
Sigo atravessando o rio e não desejo chegar.
As suas margens ainda estão largas,
mas se estreitam à medida que caminho:
a passos lentos e firmes...inseguros às vezes. Não desejo ainda chegar.
As suas águas continuam a bater nas encostas do meu ser.
Volto-me a mim e reconstituo o caminho de volta.
Deixo para trás um rio lento e suave a caminho do mar, que não consigo enxergar, ainda que o veja: não estou mais nu, não me conheço. Continuo, contudo, um yanomami.

Juscelino Mendes